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Suave...

Hoje eu me lembrei daquele dia, o dia que olhei pro seu rosto jamais esquecido porém distante, como você faz questão de se manter.
Como consegue fazer tudo com tanto êxito e ao mesmo tempo só ser "suave"? Você não pode ser só isso. Não pra mim.
Você, suavemente bateu suas asas soprando pra longe os tecidos finos que cobriam minhas lacunas. Me deixou desprotegido e os demônios que estavam dentro das lacunas se puseram para fora e nem minhas preces foram capazes de detê-los.
As vezes encaro o reflexo do água tendo certeza de que este é o reflexo mais sincero que poderia enxergar, constato que sou o meu próprio demônio, sou aquilo que ameaça não só a mim mas como as coisas acerca de mim, você soube disso quando encarou meus olhos, não foi?
 Se um dia fui o pilar, hoje sou o peso sobre uma estrutura gasta, frágil que está prestes a desmoronar.
Nunca te dei nada de bom, como você um dia me entregara, devo confessar, mas te dei algo bonito, ou pelo menos acredito que tenha sido capaz de te deixar algo belo. Te dei quem eu era, o meu coração, uma pedra mal lapidada, jamais poderia medir o valor que isso tem pra você –quem poderia apreciar algo tão incerto? – te entreguei a verdade. E agora, suavemente me retiro, e te deixo isso como um presente, algo pouco valioso, fundamentalmente humilde, porém puro. E espero que de todo o caos que existiu, em sua memória viva apenas a suavidade dos sorrisos e das extintas conversas duradouras.



Por Bruno

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